
3/4/2011 às 10h5 - A música brasileira está praticamente morta e vive apenas de belas recordações dos tempos em que tínhamos artistas com A maiúsculo como Francisco Alves, Noite Ilustrada, Dalva de Oliveira, Marlene, Linda e Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Vicente Celestino, Orlando Silva, Angela Maria, Francisco Petrônio, Carlos Galhardo, Lamartine Babo, Dorival Caymmi, Emilinha Borba, Pixinguinha, Vinicius de Morais, Ary Barroso, Noel Rosa, Erivelton Martins, Elis Regina, Clara Nunes, Paulo Sérgio e tantos outros talentos imortais.
Mesmo artistas vivos como Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto, Chico Buarque e Agnaldo Rayol raramente se ouve nas rádios brasileiras, enquanto a TV simplesmente torce o nariz para eles.
A Bahia brindou o Brasil com Caymmi e os baianos, infelizmente, preferem ouvir músicas paupérrimas vomitadas por cantores medíocres com suas bandinhas bestas, com baixarias do tipo "rebolation", "rala a checa", "passa a mão na bundinha", " tarraxinha e tarraxada" e outras pérolas que vão além do ridículo e do nojo.
Alguns fatores devem ser considerados para se chegar à morte inevitável da música brasileira: a falência do ensino público, a ganância da indústria fonográfica e a mídia que aposta no quanto pior, melhor.
Raros são os programas de rádio e de TV que abrem espaço para a boa música. E são exceções raras, acredite.
TVs como Cultura e Educativa de vez em quando tocam alguma coisa.
Aqui, em Jacobina, uma das felizes exceções é o programa "Música & Saudade", apresentado aos domingos, às 7h, pela Rádio Jacobina FM, que tem à frente Capitão Assunção, uma espécie de "o último dos moicanos".
Se as autoridades deste País não investirem mais em cultura e educação, a nossa pobre MPB caminhará, a passos largos, para a morte sem direito à exumação.
Música de qualidade não tem prazo de vencimento nem idade.
Música é música.
O que não é música - que me perdoem os ignóbeis - é o obsoleto que se deve depositar no receptáculo, isto é, lixo no lixo.
Material humano o Brasil tem e alta tecnologia também.
Se antigamente era possível fazer boa música com tecnologia arcaica, imagine hoje.
Lamentavelmente a indústria fonográfica insiste em fabricar porcaria e o povo brasileiro, feliz da vida, a consome.
Ou seja, juntou-se a fome com a vontade de comer.
Corino Rodrigues de Alvarenga




















